sexta-feira, 20 de março de 2009

Adeus Bella!!!

A Bella era daquelas MULHERES... Jeito maroto, cara de moleque, olhar desconfiado e distante, uma incógnita. Nunca sabia se ela estava triste, alegre, puta da vida, com saudade de alguém, magoada ou não... O que eu sabia sempre, é que ela tinha uma paz que levava consigo, que é inexplicável. Ela transmitia isto. Às vezes desabafava um pouco com ela, em tardes calmas no Falabella Café, e ela, ao lado da Bertinha, companheira inseparável, tinham atitudes completamente diferentes. Uma, a Bertinha, não deixava de dar sua opinião, e muitas vezes se doer por mim. A outra, a Bellinha, às vezes pronunciava algumas palavras de apoio... Outras vezes, olhava, analisava, e ficava ali, de maneira distante, mas muito presente. Com seu violão em punho então... Chegava às vezes no bar dela, o Falabella Café, e ela estava tocando música serteneja... Esbravejava imediatamente, e ela com aquele sorrisinho maroto, já dava um jeito de mudar um pouco o repertório. Mas quando tinha muita gente no Falabella, ela se desculpava comigo e dizia: "Tenho que agradar a todos." Eu entendia. Mas fingia que não. Gostava de fazer suspense com ela. E ela com aquele sorrisinho. São detalhes que nunca vou me esquecer.
Também não me esqueço do quanto ela deixava o vizinho, que inclusive alugava o cômodo comercial pra ela, com a pulga atrás da orelha. O que ele dizia, entrava por um ouvido, e saia pelo outro. Ela, sempre com aquela cara de.... "não fiz nada!" Mas olha, um cuzão assim como ele, não merece consideração, e nem mesmo discussão. "Ele veio aí. Bravo com o barulho de ontem a noite, chamou a polícia", me contava com uma cara... "E você Bella, o que fez?", perguntava eu puta da vida. "Nada... Deixa ele", respondia... Mas sem querer, ela sempre dava sua resposta. Na ensurdecedora noite.... Ah! Era muito bom. Até isto vai deixar saudade.
Agora, a gente não sabe o que vai ser do Falabella Café. Se a Bertinha vai continuar ou não. Mas o que sei, depois de presenciar a Bellinha com aquele ar de paz e de "não tô entendendo nada" no seu descanso eterno, é que ela foi realmente feliz ao lado de todos aqui na terrinha. Um semblante lindo e de paz, marcou sua despedida, apesar de a imagem que ficou comigo, seja a do Falabella Café. As noites, as cantorias, as confusões e como sempre, aquele olhar matreiro e desconfiado acompanhando a todos. Com seu inseparável cigarro, e inseparáveis cerveja e violão.
Adeus Bellinha! Sei que está em uma morada melhor que esta... E como diria o Renato Russo: "Os bons morrem jovens".

terça-feira, 17 de março de 2009

É um fenômeno!!!!!

É um fenômeno!!!!!!!!! O cara é feio, gordo (aliás, bem gordo), ganha uma fortuna, tem as mulheres mais bonitas (mesmo saindo com travestis), bebe, fuma (sendo jogador de futebol) e tem gente que acha ele um máximo, inclusive a nossa amada Vênus Platina!!!!!!!! Olha, é um fenômeno... Uma figura desta ganhar tanto dinheiro... É um fenômeno... Entrevista ali não falta... Dão ibope pro cara o tempo todo. E ele, com humildade alguma, sorri para as câmeras e deve pensar: "Bando de idiotas. Sabem a fortuna que ganho em um país onde só tem morto de fome? Eu não sei nem falar e tô aqui, na maior." Também deve pensar: "Vocês aí jornalistas, que me colocam nas manchetes todos os dias ganham uma merda de salário.. E olha que estudaram, mas quem ganha dinheiro sou eu. São bobos mesmo." Um fenômeno... E tem gente que defende. Estava lendo um blog estes dias, em que o autor fala dos absurdos que os homens andam cometendo com as mulheres. Estupros, assassinatos, espancamentos, etc, etc, etc... Aí, vem um cara lá e diz que as mulheres devem também pedir desculpas, pois nada acrescentam... Cita por exemplo, as Ronaldinhas, oportunistas... Ora, meu povo, pra encarar o pinto de alguns por aí... Só sendo oportunista... Por amor à sua xereca é que não é! Ou vocês acham que a grande maioria dos jogadores de futebol, inclusive este aí que tá na mídia, conseguem mulheres lindíssimas pela sua cabeça intelectualizada? Não tenha uma rechonchuda (não tô falando do Ronaldo não... É que a gente fala rechonchuda, o povo já acha que estamos falando da forma física do rapaz) conta bancária não... Vai ver que mulher vai pegar? E outro detalhe: estas mulheres podem ser oportunistas, mas pelo menos não matam, não estupram...
E vamos voltar ao fenômeno... Outro fato fenomenal pelo qual o tal fenômeno passou na vida, foi o fato de ter pego três travestis sem saber que eram musas de mentira... Depois de horas no motel ele percebeu que eram travestis. O que mais me encanta, é que, segundo uma delas, houve transa... E ele não percebeu que tinha um pinto na frente... Poxa!!! Além de gordo não tem tato, e nem enxerga né? Ah, e outro detalhe: naquela avenida onde ele pegou as travestis... é ponto delas, e não de garotas de programa. Basta ir no Rio de Janeiro e conferir... Ah! Fenomenal, o fato de ter rolado drogas no lugar, segundo as travestis, como cocaina, e o jogador de futebol, o tal fenômeno, não ter consumido. Será que ele, a exemplo de ter achado que pinto era uma coisa comum em mulheres, pode ter achado que elas estavam cheirando farinha de trigo?
Demais né meu povo... É um fenômeno e a Globo não aprende. Como gosta de dar ibope pra cuzão!

Dona Benta volta a atacar

Mais uma imbecilidade solta a quatro cantos pelo papa Bento XVI, a famosa Dona Benta. Olha, falar que a distribuição de preservativos não é a forma correta de combater a disseminação do vírus HIV e da aids e insistir na baboseira de que a Igreja Católica está na vanguarda da luta contra a epidemia na África, é demais! Para esta figura impoluta (virtuosíssimo!!!!!!!!), que está em uma viagem pela África, a distribuição de camisinhas "piora o problema". Meu Deus!!! Mas acho que o pontífice está correto. Ora, pra que camisinha? Na hora do estupro o tal do agressor vai se lembrar de colocar camisinha? O nosso arcebispo bundão de Recife e Olinda disse que não cabe à Igreja excomungar um estuprador... Como que ele ia aparecer, se tivesse camisinha na jogada? Não ia ter aborto... Consequentemente, não haveria excomunhão... Consequentemente, não haveria imprensa dando ibope pra este bundão.
Então, é isto, façam abstinência sexual. A Igreja recomenda... Sexo, a não ser para procriar, é pecado!!! Dizem os pastores também... A disputa tá dura minha gente... Quem gosta mais de aparecer? É isto. E como o nosso líder da Igreja Católica não pode ficar sem aparecer mais que os outros, fica falando bobagem. Camisinha não. Mas se uma criança for contaminada com o vírus da Aids durante um estupro não há problema... Afinal, é um pecador que merece o perdão, e a criança que se PHÖDDA (Assim mesmo: com PH, trema no O e dois D's de Toddy).
Amém meus filhos! Não cometam pecados. Sigam as recomendações da dona Benta... Sim à ignorância! Vamos acabar com a Aids... Não trepem... só em árvores!

É a mãe!!!!!!!!!

Tadinho do estuprador, animal e energúmeno Josef Fritz!!!!!!!! Ele alega que tudo o que ocorreu deve-se à falta de amor da senhora sua mãe... Realmente este cuzão de plantão teve uma péssima educação. A mãe dele deve ter ensinado que para ser um bom homem, deve estrupar, manter em cárcere a própria filha e ainda matar seus "descendentes" (filho ou neto?). Que conversa fiada. Típico de uma mente doentia. Durante 24 anos ele manteve a filha presa em um porão, muitas vezes sem iluminação, e a obrigava a fazer sexo com ele. Nem conversar o indivíduo conversava muitas vezes. Olha!!!!!! Agora ele alega que estuprou, prendeu a filha, fez e aconteceu... Mas matar, não matou!!!!! Ora, o cara sabe direitinho o que está fazendo, pois "só" pelo estupro, "só" pelo cárcere, "só" pelo incesto, "só" por tudo que este doente fez, ele pega seis anos e meio de prisão, no máximo. Então, óbvio... matar, ele não matou... porque senão corre o risco de ficar o resto da vida na cadeia. Que justiça é esta. Falamos da justiça brasileira, mas o mundo é conivente com este tipo de gente (?). Ah, e detalhe: deve ter a conivência da igreja também, que excomunga, excomunga, excomunga... Mas este tipo de gente (?) não é excomungada. Bem... Afinal, ele tem direito à defesa, e tem advogado que ainda orienta este tipo de gente (?). "Olha, fala que não matou um de seus filhos (netos?) e não omitiu socorro." Assim, este bundão de marca maior, fica livre da prisão perpétua... É o fim do mundo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Cassação já! Ou senão, excomunga...

Assédio Sexual e Moral... Que coisa feia. Isto aconteceu aqui, na minha cidade, Uberaba, no interior de Minas Gerais. Ganhou manchete dos jornais locais pelo fato de ser um vereador eleito recentemente. O nome do indivíduo: Jorge Ferreira da Cruz Filho (PMN- Partido da Mobilização Nacional). Aliás, que mobilização hein? Abordou de maneira cafajeste duas funcionárias, e de maneira não menos cafajeste, dois funcionários. Um inclusive, tinha que devolver R$ 910,00, ou seja, seu salário, e ficar somente com o vale alimentação. Pode? Que votou neste cuzão? Um dos jornais locais inclusive narrou que ele já espancou a ex-namorada e a ameaçou de morte. Detalhe: menor de idade na ocasião. Mas voltando um pouquinho em recente história... O cara pode né? Excomungado ele não vai ser pela igreja. Aliás, deve ser um fervoroso servidor na vida cristã. Ora, quem deve ser excomungado? As servidoras. Afinal, abordar uma pessoa sexualmente é um ato falho, mas a igreja está de portas abertas para estas pessoas. Por isto gente, que estas coisas em pleno século XXI acontecem.. Além da conivência da igreja, tem também a conivência da sociedade, que obviamente vai alegar que elas "deram bola pra ele". São umas vadias... Etc, etc, etc... Aquele papo machista já manjado.
Bem, quando aos assédios morais... Ah, com certeza a igreja, a sociedade, ou seja, os falso moralistas, vão arrumar uma desculpa pra ele.
Oh Comissão de Ética da Câmara Municipal de Uberaba, cassa né? E o PMN, vai tomar atitude?

Música é Poesia? Ou não? Hummmm....

Quem foi que disse que letra de música não é poesia? Bem, no documentário Palavra En(Cantada), Helena Solberg, coloca em pauta esta discussão. Alguns, no depoimento, saem pela culatra. Inclusive, Adriana Calcanhoto, que gravou muitos poetas; Chico Buarque, que... sem comentários. Bem, a discussão gira em torno do poder expressivo da música popular brasileira (leia-se MPB, vamos esquecer o que não é música né gente?), e do trabalho destes compositores relacionado com a poesia. Enfim, sem blá-blá-blá... Que falou que letra de música não é um belíssimo poema?

"Quero perder o medo da poesia/ Encontrar a métrica e a lágrima/ Onde os caminhos se bifurcam/ Planando na miragem de um jardim/ ... Eu astronauta lírico em terra/ Indo a teu lado, leve, pensativo."VITOR RAMIL

"Quem me dera fosse meu/ O poema de amor definitivo/ Se amar fosse o bastante/ Poder eu poderia/ Pudera/ Às vezes parece ser esse/ Meu único destino/ Mas vem o vento e leva/ As palavras que digo/ Minha canção de amigo/ Um sonho de poeta/ Não vale o instante vivo."ALICE RUIZ

"Na varanda da fazenda/ Está sentado um violeiro/ Que ponteia imaginando/ Os sonhos de um fazendeiro/ ...E o poeta passa a noite/ Procurando a rima exata/ Esfumaçada num café quente/ Numa caneca de lata/ E a noite paga as cantigas/ Com uma moeda de prata."SIBA


Outros bons exemplos, são os que nasceram poemas, e foram musicados posteriormente. Como esta obra de arte de Clarice Lispector, que foi musicada pelo grande Cazuza e seu parceiro Frejat.

Que O Deus Venha
(Frejat / Cazuza / Clarice Lispector)
Sou inquieta, áspera E desesperançada Embora amor dentro de mim eu tenha Só que eu não sei usar amor Às vezes arranha Feito farpa Se tanto amor dentro de mim Eu tenho, mas no entanto continuo inquieta É que eu preciso que o Deus venha Antes que seja tarde demais
Corro perigo Como toda pessoa que vive E a única coisa que me espera É exatamete o inesperado Mas eu sei Que vou ter paz antes da morte Que vou experimentar um dia O delicado da vida Vou aprender Como se come e vive O gosto da comida

Oi ainda fragmentos de poemas de Antônio Cícero, sabiamente usados por Marina Lima. Aqui vai um poema na íntegra (Marina utilizou somente uma parte em um de seus CD's). Ele faz parte do livro "Guardar", de Antônio Cícero. Esta poesia leva o mesmo nome.

Guardar
Guardar alguma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma
Em cofre perde-se a coisa à vista
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la
Por
Admirá-la, isto é, iluminá-la
ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la,
isto é, fazer vigília por ela,
isto é, velar por ela,
isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guardar o vôo de um pássaro
Do que pássaros sem vôos

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que quer guardar.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Este é o texto

Este texto de Frei Beto pra mim é fantástico. Sobre o feminismo. Considero que ele diz tudo. O texto é grande, mas vale a pena ler... Nem que seja em doses homeopáticas - he, he, he... Apesar da redação ser distante, ele é muito atual. O texto foi publicado na revista "Caros Amigos" (uma publicação magistral, diga-se de passagem), em seu ano V, número 54, em setembro de 2001.
Veja! Vale muito a pena.


MARCAS DE BATOM
Frei Beto
Tome-se uma mulher. A meu ver, nada mais belo em toda a natureza. E completo, pois é portadora de vida, enquanto o homem é apenas provedor. Matrimônio, vínculo que assegura a unidade familiar, promovido por Jesus a um dos sete sacramentos. Patrimônio, a posse dos bens que sustentam a família. Ninguém sofre uma opressão tão prolongada ao longo da história como a mulher. Mutiladas em países da África com a supressão do clitóris, censuradas em países islâmicos onde são proibidas de exibir o rosto, subjugadas como escravas e prostitutas em regiões da Ásia, deploradas como filha única por famílias chinesas, são as mulheres que carregam o maior peso da pobreza que atinge, hoje, 4 dos 6 bilhões de habitantes da Terra. Metade da humanidade é mulher. A outra metade, filhos de mulheres. Em muitos países, elas são obrigadas a suportar dupla jornada de trabalho, a doméstica e a profissional, arcando ainda com o cuidado e a educação das crianças. Na América Latina, entre a população pobre, 30 por cento dos chefes de família são mulheres. Estupradas em sua dignidade, elas são despidas em outdoors e capas de revistas, reduzidas a iscas de consumo na propaganda televisiva, ridicularizadas em programas humorísticos, condenadas à anorexia e à beleza compulsória pela ditadura da moda. As belas e burras têm mais "valor de mercado" do que as feias e inteligentes.
FEMINISMO
O movimento feminista organizado surgiu nos EUA, na segunda metade dos anos 60. Logo, expandiu-se pelos países do Ocidente, propugnando a libertação da mulher, e não apenas a emancipação. Qual a diferença? Emancipar-se é equiparar-se ao homem em direitos jurídicos, políticos e econômicos. Corresponde à busca de igualdade. Libertar-se é querer ir mais adiante, marcar a diferença, realçar as condições que regem a alteridade nas relações de gênero, de modo a afirmar a mulher como indivíduo autônomo, independente, dotado de plenitude humana e tão sujeito frente ao homem quanto o homem frente à mulher. É esse o objetivo numa sociedade que ainda mantém a mulher como uma pessoa oprimida, estrutural e superestruturalmente. Não se rompe esse cativeiro apenas com mudanças jurídicas na sociedade neoliberal. Nem com a isonomia econômica do socialismo, como queriam Marx, Engels, Bebel e Clara Zetkin. Bebel escreveu, em 1889, O Socialismo e a Mulher, no qual concordava com a tese de Engels de que a sociedade retrocedera de um período mítico, matriarcal e feliz, para um período patriarcal, fundado na propriedade privada. Julgou, portanto, que a abolição da propriedade privada significaria a libertação da mulher, no que se equivocou. Não é por acaso que a maior organização de massa de Cuba é a Federação de Mulheres, com 3 milhões de filiadas, numa população de 11 milhões de habitantes. O socialismo no Leste europeu com-provou que não se liberta a mulher abolindo a propriedade privada e introduzindo-a no processo produtivo. É preciso mudar também a superestrutura cultural e psicológica da sociedade e, sobretudo, reinventar formas de produção e de exercício de poder que tenham as mulheres como sujeito. Enquanto o masculino for o paradigma do feminino, esse ideal não será alcançado, a menos que as mulheres descubram que elas próprias são o paradigma de si mesmas.
REAÇÃO HISTÓRICA
No Renascimento ouviam-se os ecos medievalistas que consideravam a mulher um ser inferior ao homem. Bispos e teólogos defenderam que a mulher é "naturalmente" inferior ao homem, destinada a obedecer-lhe. Por isso, não podia exercer funções de poder, como o sacerdócio. Questionado se o escravo liberto poderia ser sacerdote, São Tomás de Aquino, meu confrade, respondeu que sim, pois o escravo é "socialmente inferior", enquanto a mulher é "naturalmente inferior". O humanista Cornélio Agrippa reagiu em 1529, proclamando a superioridade da mulher na obra De Nobilitate et Praecellentia Feminae Sexus (Da Nobreza e Excelência do Sexo Feminino). Na Itália do século 17, três intelectuais de Veneza despontaram como precursoras do feminismo: Lucrécia Marinelli, Moderata Fonte e Arcângela Tarabotti. A primeira escreveu, em 1601, La Nobilità e l’Eccelenza delle Donne (A Nobreza e a Excelência da Mulher), onde defendeu a igualdade fundamental dos dois sexos, ressaltando o papel da mulher na história da civilização. Moderata Fonte publicou, em 1600, Merito delle Donne (Valor da Mulher), em que retratou as donas de casa de sua época, que viviam "como animais encurralados entre paredes", dizia uma personagem desiludida com o casamento, em que a sonhada liber-dade se evaporara para dar lugar a "um odioso guardião". Desprovida de recursos e instrução, a mulher sujeitava-se ao poder masculino. Arcângela Tarabotti foi obrigada pelo pai, em 1620, aos l6 anos, a ingressar no mosteiro da Santa Ana, das beneditinas, onde morreu em 1652. Ao longo de 32 anos, escreveu textos e cartas em seu "cárcere feminino", como qualificava o mosteiro, denunciando a inferioridade da mulher. Em suas obras Antisatira (Anti-sátira), Difesa delle Donne contro Horatio Plata (Defesa da Mulher contra Horácio Plata) e La Tirannia Paterna, esta publicada em 1654, Arcângela Tarabotti denunciou os falsos moralismos masculinos, a falta de liberdade feminina e a violência que a obrigou a trocar a pena de escritora pela agulha de bordadeira.
ILUMINISMO
O projeto iluminista de melhorar o ser humano através da cultura favoreceu, no século 18, o acesso da mulher à escola. Em Pádua, na Itália, em 1723, discutia-se "se as mulheres devem ser admitidas no estudo das ciências e das artes nobres". Aos poucos, as portas da instrução se abriram a elas. A Revolução Francesa é considerada, por muitos, o berço do feminismo moderno. Em 1791, Olímpia de Gouges lançou a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, onde proclamou que a mulher possui direitos naturais como o homem, e deve participar do poder legislativo. A obra incluía um "contrato social" entre os sexos. De Gouges, entretanto, morreu guilhotinada em 1793 e, no mesmo ano, o parlamento rejeitou a proposta de igualdade política entre os sexos. Só no século 20 a francesa teve direito ao voto. Ao crepúsculo do século 19, o feminismo despontou na Inglaterra como movimento de emancipação, reivindicando igualdade jurídica, como direito ao voto e acesso à instrução e às profissões liberais. A sociedade se vangloriava de ser liberal, mas sujeitava a mulher, privando-a dos direitos de cidadania. John Stuart Mill escreveu em 1869, na obra Sobre a Sujeição da Mulher, que considerá-la um ser incapaz é marcá-la desde o nascimento com a autoridade da lei, decretando que jamais ela poderá aspirar a alcançar determinadas posições. Mill concordava com Fourier que o melhor modo de avaliar o grau de civilização de um povo é analisando a situação da mulher. Defendia, ainda, o fim da desigualdade de direitos na família; a admissão de mulheres em todas as funções; participação nas eleições; e melhor instrução. A reforma eleitoral italiana de 1912 estendeu o direito ao voto aos analfabetos, mas excluiu as mulheres, os menores, os prisioneiros e os dementes. Só em 1945 as italianas tiveram direito ao voto, após duas guerras mundiais.
O NOVO FEMINISMO
Simone de Beauvoir, ao publicar em 1949 O Segundo Sexo, pôs a descoberto as profundas raízes da opressão feminina, analisando o desenvolvimento psicológico da mulher e as condições sociais que a tornam alienada e submissa ao homem. Em 1963, Betty Fridman lançou nos EUA A Mística Feminina, onde retomou as idéias de Beauvoir, denunciando a opressão da mulher, que, na sociedade industrial, sofre do "mal que não tem nome" — a angústia do eterno feminino, da mulher sedutora e submissa. A partir dessas novas idéias, o movimento feminista alastrou-se pelo mundo. Sutiãs foram queimados nas ruas; a libertação sexual tornou-se um fato político; as palavras de ordem se multiplicaram: "Nosso corpo nos pertence!" "Direito ao prazer!" "O privado também é político!" "Diferentes, mas não desiguais!" O modelo tradicional do ser mulher entrou em crise e um novo perfil feminino começou a se esboçar. Pressionada, a ONU declarou 1975 Ano Internacional da Mulher, e a década que se seguiu, até 1985, Década da Mulher em todo o mundo.
FEMINISMO NO BRASIL
Muitas mulheres brasileiras participaram ativamente da resistência à ditadura militar. Mas o primeiro grupo organizado de feministas pós-Simone de Beauvoir surgiu em São Paulo, em 1972, com Célia Sampaio, Walnice Nogueira Galvão, Betty Mindlin, Maria Malta Campos, Maria Odila Silva Dias e, mais tarde, Marta Suplicy. Aos poucos, o tema do feminino e do feminismo passou a ocupar fóruns nacionais de debate, como ocorreu na reunião anual da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), em Belo Horizonte, em 1975. No mesmo ano, um encontro na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, deu origem ao Centro da Mulher Brasileira. Também no mesmo ano, em São Paulo, realizou-se o Encontro para o Diagnóstico da Mulher Paulista; surgiu o Movimento Feminino pela Anistia, liderado por Terezinha Zerbine; e foi lançado o jornal Brasil Mulher, que circulou de 1975 a março de 1980. A imprensa feminista ganhou fôlego. Nós Mulheres circulou entre 1976 e 1978, e o jornal Mulherio, lançado em março de 1981, tornou-se leitura obrigatória das feministas por mais de cinco anos. Entre 1970 e 1980, o movimento de mulheres centrou-se na luta pela redemocratização do país. Nas classes populares surgiram, incentivados pela Igreja Católica, clubes de mães e associações das donas de casa. Outros movimentos, sem vínculos confessionais ou partidários, brotaram pelo país afora, como a Rede Mulher, em defesa dos direitos da mulher e da ampliação da cidadania feminina. Aos poucos, delinearam-se agendas específicas, como negras, prostitutas, lésbicas, trabalhadoras rurais e urbanas, empresárias etc. Mais de 3.000 mulheres reuniram-se nos Congressos da Mulher Paulista, entre 1979 e 1981. No Rio, o 8 de março foi comemorado por encontros estaduais, de 1977 a meados da década de 1980. Em Fortaleza, em 1979, houve o I Encontro Nacional Feminista, que teve a sua 13ª versão ano passado, em João Pessoa.
FEMINISMO SINDICAL
Na área sindical, desde 1963 as trabalhadoras brasileiras lutam por seus direitos, pois naquele ano 415 delegadas participaram do encontro organizado pelo Pacto de Unidade Intersindical. O golpe militar de 1964 abortou esse movimento, que só veio a ressurgir em meados dos anos 70. Em 1979 ocorreram dois Encontros da Mulher Metalúrgica, um em São Bernardo do Campo e outro na capital paulista. Elas participaram ativamente das greves de 80, promovendo piquetes, angariando recursos para o fundo de greve e ocupando as ruas de São Bernardo do Campo, ostentando flores contra os fuzis da ditadura. Suas reivindicações específicas foram incorporadas às pautas de negociação. Bem como denunciados seus salários mais baixos e a falta de creches. As trabalhadoras queriam também jornada de quarenta horas semanais e abono de faltas ou atrasos causados pela necessidade de levar os filhos ao médico. No I Conclat (Congresso das Classes Trabalhadoras), em 1981, a voz feminina se fez ouvir, sobretudo com as demandas das empregadas domésticas pelo reconhecimento da profissão e a extensão dos direitos trabalhistas à sua categoria. As trabalhadoras rurais despontaram a partir de 1979, após a greve dos 100.000 trabalhadores rurais na Zona da Mata de Pernambuco. Elas começaram a se organizar em movimentos de mulheres, sindicatos e associações, lutando contra a exploração da mão-de-obra no campo. O MST ajudou a impulsionar essa luta, combatendo, em sua organização e campanhas, todas as formas de discriminação à mulher. Em 1990, realizaram-se o Seminário Nacional das Trabalhadoras Rurais e o 1º Congresso do Departamento Nacional dos Trabalhadores Rurais da CUT. Entre 1985 e 1990, as mulheres negras começam a dar visibilidade nacional à suas lutas. Em 1987, no VIII Encontro Nacional Feminista, em Garanhuns, PE, decidiu-se organizar, no ano seguinte, o 1º Encontro Nacional de Mulheres Negras, realizado em Valença, RJ, onde se reuniram 440 mulheres de dezenove Estados. As mulheres lésbicas também começaram a se organizar para reagir ao preconceito e à violência. Formaram grupos de auto-estima, denúncias e ação política. Em 1979, surgiu em São Paulo a associação SOMOS Grupo de Afirmação Homossexual, da qual brotaram o Grupo Lésbico Feminista e o Grupo da Ação Lésbico-Feminista. Em 1999, o Rio abrigou o V Encontro de Lésbicas Feministas da América Latina e do Caribe. Cada vez mais, ganhou espaço na mídia a violência contra as mulheres, sobretudo assassinatos cometidos por seus com-panheiros. Repercutiram nacionalmente as mortes de Ângela Diniz (RJ), Maria Regina Rocha e Eloísa Balesteros (MG) e Eliane de Gramont (SP). "Quem ama não mata", o refrão ressoou pelo Brasil inteiro, a ponto de inspirar uma minissérie da TV Globo. A 10 de outubro de 1980, foi criado em São Paulo o primeiro grupo de combate à violência contra a mulher, o SOS Mulher. Daí surgiram as delegacias de polícia especializadas. Inaugurou-se a primeira em São Paulo, 1985. Em 1990, já eram mais de duzentas em todo o país.
PARTICIPAÇÃO POLÍTICA
As eleições diretas para governadores, em 1982, mobilizaram as feministas em defesa da cidadania e pela implementação de políticas públicas para as mulheres. A vitória do PMDB, em 1983, em Minas e São Paulo levou à criação dos primeiros Conselhos Estaduais da Condição Feminina. Pressionado pelos movimentos de mulheres, o presidente Sarney propôs ao Congresso a criação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), aprovado em 1985. Vinculado ao Ministério da Justiça, exerceu positiva atuação na Constituinte de 1988. Mas em 1989 o presidente Collor acabou com a autonomia financeira e administrativa do órgão, que hoje depende da boa vontade do Ministério da Justiça. Na Eco 92, no Rio, as mulheres participaram do Fórum das ONGs com o Planeta Fêmea, do qual saiu a Agenda 21 das Mulheres. Seguiram-se as conferências sobre Direitos Humanos (Viena, 1993) e sobre População e Desenvolvimento (Cairo, 1994), que trataram de temas específicos da agenda feminista. Esse processo resultou na realização da IV Conferência Mundial da Mulher, em Pequim, em 1995. Hoje, vários países são governados por mulheres. Helen Clark é chefe de governo da Nova Zelândia desde 1999. Gloria Arroyo preside as Filipinas desde janeiro deste ano. Chandrika Kumaratunga, que presidia o Sri-Lanka desde 1994, foi reeleita em 1999. Tarja Halonen elegeu-se, este ano, presidente da Finlândia. Mary McAleese preside a Irlanda desde 1997. Vaira Vike-Freiberga é primeira-ministra da Letônia desde 1999. Mireya Moscovo preside o Panamá desde 1999. Hasina Wajed é chefe de governo de Bangladesh desde 1996. E, em julho, Megawati Sukarnoputri assumiu a presidência da Indonésia.
DESAFIOS ATUAIS
A partir de 1977, o movimento feminista fragmentou-se em diversas tendências, algumas mais voltadas para a discriminalização do aborto, outras centradas na isonomia profissional com os homens. Muitas mulheres, após conquistar postos de trabalho antes ocupados exclusivamente pelos homens, lograram também assumir funções políticas de mando. A crise da família faz com que muitas exerçam o papel de chefe da família, como ocorre, hoje, com 30 por cento das mulheres latino-americanas, sobretudo as mais pobres. Há, contudo, um terreno diante do qual o feminismo parece calar-se: o do uso da mulher na publicidade e, em especial, no mundo da moda. A mulher é flagrantemente utilizada como isca de consumo, realçando-se seus atributos físicos de modo a reificá-la, ou seja, estabelecer uma relação direta entre o produto e a mulher, alvos do desejo libidinoso. Na esfera da moda, ela é condenada à anorexia, favorecendo uma nova exclusão sociocultural: a das gordas e feias, idosas e maltratadas pela carência. Essa mulher-objeto, fruto da manipulação estética de academias de ginástica, produtos dietéticos e medicina especializada, é desprovida de sentimentos, idéias, valores e projetos. Vale unicamente pelo aspecto físico. Saber requebrar na dança é mais importante do que saber pensar, e a ausência de gorduras e celulites importa mais que as qualidades morais e intelectuais. Nos programas de televisão, sobretudo humorísticos, o papel da mulher é quase sempre o de notória imbecil, reforçando o machismo e favorecendo a violência contra ela, seja a física, seja a moral, mais comum, do homem que se recusa ao diálogo, não admite críticas e sente-se no direito de ditar normas de comportamento. O que é espantoso é a cumplicidade de tantas mulheres com essa imagem que as deprecia e alarga a distância entre ética e estética, amor e sexualidade, subjetividade e glamourização dos atributos físicos. A marca do batom é vermelha, cor das bandeiras libertárias e, também, do sangue injustamente derramado pela opressão.

SOU MAIORAL!!!!!!!!!!!!!!!

Olha gente, não sei como ainda não coloquei esta frase neste espaço. Esta é a frase que mais gosto... Acho ela o máximo, e resume tudo. Preto, mulher, homessexual, tem que parar com esta mania de se sentir minoria... Deixado de lado... Esta frase que vou postar resume tudo, como já disse. Só podia ser do meu poeta predileto Agenor Miranda de Araújo Neto... Meu Cazuza... Saudade!!!!!!!!

"Não me sinto minoria, nunca me senti. Tenho horror a gueto. Quero viver num mundo diferente, em que todos convivam igualmente. Não faria parte de um gueto nunca!! Não gosto de andar só com preto, só com judeu, só com gay. Gosto de viver é com todo mundo junto. Me sentiria mal em levantar bandeiras de minorias. Sou mesmo é maioral."

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ah!!! Vai ser excomungado!!!!!!!!!!!!!!!

Bem, um assunto complicado... Que arcebispo idiota!!!! O tal do arcebispo de Olinda e Recife, José Cardoso Sobrinho podia ter ficado calado. Ora, não é que ele conseguiu aparecer mais do que pastor no período matutino, vespertino e noturno, que fazem suas pregações na TV?!!! Também mais que o padre Marcelo, José Maria e aquele outro que esqueci o nome... Ah! É que a voz dele não deve ser das melhores. Aí ele ficou arquitetando: "Tenho agora uma grande chance de aparecer mais que todos eles... He, he, he... Seus pastores imbecis. Na Igreja, na MPB, quem será Marcelo Rossi?"
Para quem não se lembra, este arcebisto é aquele energúmeno que excomungou o médico que fez o aborto de uma criança de 9 anos que esperava gêmeos. Detalhe: ela foi estuprada... Ah! Como se não bastasse a excomunhão do médico, a mãe da criança também foi excomungada. Bem, não só pelo fato de a menina correr risco de morte, ela foi estuprada... Ora, faça-me o favor! Isto é querer aparecer... E conseguiu... O energúmeno conseguiu sair até na mídia mundial.
Bem meus irmãos, o pior de tudo é que segundo este arcebispo cuzão, o estuprador cometeu um crime hediondo, mas que existe vários outros pecados graves. "Mais grave que isto, é eliminar uma vida inocente." Nossa, que absurdo... A vida de uma menina estava em jogo... E o tal do estuprador, bandido, não ser excomungado? Bem meus irmãos, o que devo dizer a vocês é o seguinte: pessoas como o médico e a mãe da criança estão proibidas de participar de qualquer atividade da igreja... Mas o estuprador pode. Conselho: se você vai à igreja, deixe suas criancinhas em casa, pois mesmo que elas sejam estupradas ali, aos olhos do tal arcebispo, provavelmente ele não fará nada, mas em seu sermão já dirá: "Irmã, se sua criança está grávida, cuidado, nada de aborto, pois serás excomungada..." Que hipocrisia!!!! Mais é isto... Cuidado com suas crianças nas atividades da igreja... A inquisição está de volta meu povo. E meu Deus.... Vai ser excomungado lá longe bichinho!!!!!