quinta-feira, 29 de abril de 2010

Bodas de que mesmo????!!!!

Sempre felizes!!! Quero isto por muitos anos!!!

Hoje completamos quatro anos de completa felicidade, cumplicidade, enfim... de tudo de bom!!!! São quatro anos de amor, companheirismo, e lógico, algumas rusgas, brigas... Nada que não se resolva a base de muito amor. Passamos por alguns probleminhas, como a morte da Natasha, nossa amada cachorra poodle, pela minha cirurgia de aneurisma cerebral... Mas nada que não tenhamos conseguido superar juntas. Olho estes anos, e vejo que muita coisa boa também aconteceu, até mesmo nos momentos difíceis. Como superar a morte da Natasha? Ali, lado a lado. Também a cirurgia, um pouco grave, trouxe muita coisa boa, e gosto de lembrar delas. A cumplicidade e atenção que fui cuidada pelo meu amor... Até comida na boca ganhava... Água, enfim... Trouxe ainda pessoas boas para o nosso lado, como o médico que me operou, o doutor Wilson. Mostrou quem realmente eram nossos amigos.
Além de tirar as coisas boas dos momentos difíceis, também vivemos, graças a Deus, na maior parte do tempo, com ótimos momentos, que vamos lembrar sempre (sem nostalgia piegas). Os encontros com nossas amigas (né Simone e Lu??? Falta conhecer o quintal novo!!!; né Bia, Maria Helena e companhia....), casais maravilhosos como Ju e Fred (meus afilhados queridos de casamento), Gennari e Fernanda, dentre muitos outros, as nossas bebedeiras maravilhosas no Mário, Cachaçaria, Santo Onofre, Colorado, Cu do Padre, Picanha na Lenha, Picanha na Pedra, Kanpai (ah!!! o saquê!!!!!), nossas viagens... Ah!!! E uma das coisas mais importantes que aconteceu na nossa vida no finalzinho de 2009. A vinda da Valentina pra nossa casa e vida. Nossa labrador linda!!!! Se for numerar os momentos bons!!!! Graças a Deus vocês vão ter que ler muito. Não preciso dizer que comemoramos na Choperia do Mário, onde tudo começou... E o Claudinho lá firme, nos servindo.
Enfim, só queria registrar de maneira breve nossa caminhada nestes quatro anos, mas acabei me estendendo um pouco. Coloco aqui as músicas que escutava incansavelmente no carro quando saíamos da TV Band Regional, onde nos conhecemos e trabalhamos juntas, para almoçar no Cozinha D'Ouro. E dá-lhe Zélia, que nos embalou e embala até hoje.

Mãos Atadas
(Simone Saback)

Tenho as mãos atadas ao redor do meu pescoço
Eu queria mesmo era tocar seu corpo
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos e depois?
Depois toco meu corpo eu tenho frio
Sou um louco amargurado e até vazio
E me chamam atenção
Mas eu sou louco é de paixão e você?
Você que me retire desse poço
Eu sei ainda sou moço pra viver
E te ver assim tão crua
A verdade é toda nua
E ninguém vê


Eu tenho as mãos atadas sem ação
E um coração maior que eu para doar
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos sem querer
Eu quero é me livrar
Voar
Sumir
Perder não sei, não sei, não sei querer mais
A qualquer hora é sempre agora chora
Quero cantar você
Vou fazer uma canção liberte o meu pensar
Aperte os cintos pra pousar
Agora é hora de dizer muito prazer sorte ou
azar e amar
Simplesmente amar você

E tem tantas outras músicas que nos embalam até hoje, passando por Cássia Eller, Chico Buarque, Pitty, Zeca Baleiro, Ná Ozetti, Itamar Assumpção, Rita Ribeiro, Maria Gadu, Ana Cañas, Roberta Sá, enfim... muita trilha sonora legal.

Mas é isto... Uma história legal, que vai se estender por mais quatro, quarenta, quatrocentos anos....

Bjunda a todos amigos e obrigada por fazerem parte desta história.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Frases memoráveis

Bem, estas frases dizem tudo né???
Clarice, sempre Clarice!!!!
Diz tudo esta mulher!!!




Aqui, Rauzito arrasa!!!!
Olha a frase:
"A desobediência é uma virtude necessária à criatividade."
Precisa dizer mais alguma coisa???

Simplesmente Clarice!!!


Das vantagens de ser bobo

Clarice Lispector

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ufa!! Alguém pensa como eu!!!

Desde setembro de 2007, o escritor português, prêmio Nobel de Literatura em 1998, mantém um blog caderno.josesaramago.org, onde comenta temas relacionados a política, literatura, religião e sociedade ou simplesmente escreve relatos sobre suas viagens, muitas ao Brasil. Mas quero destacar aqui, não o blog do escritor de frases longas e bem elaboradas, mas sim uma parte bárbara de uma entrevista ao GLOBO, em relação ao twitter (um fenômeno!!!!). Concordo em gênero, número e grau com este gênio. Tem outras partes da entrevista que adorei, como a que ele exalta a literatura de Chico Buarque. Mas aqui vai a opinião de Saramago sobre o “fenômeno”.

O senhor acompanha o fenômeno do Twitter? Acredita que a concisão de se expressar em 140 caracteres tem algum valor? Já pensou em abrir uma conta no site?


SARAMAGO: Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.


Pequeno Dicionário de Bolso (da Pituca):

Fenômeno – Não se trata do Ronaldo. Mas segundo este dicionário, se você considera o twitter este fenômeno todo!!!! Pode ser a mesma coisa sim. Afinal, aqui no Brasil, estamos ruins de fenômenos... O “Reboleixon” que o diga (aliás, bem estilo Ronaldo!!!). E agora vem outro fenômeno... Este mundial!!!


E foram felizes para sempre!!!!


Olha que lindos, eu e o Aimar lá em cima entrando no Santuário de Nossa Senhora d' Abadia... Padrinhos lindos né????? E a Ju com suas amigas malas... Incluindo eu!!! Lá atrás, sentada, está a Dany Brito... A próxima a casar!!! As fotos são do "Seu Menino" (Rúbio Marra)


A Ju casou no sábado, dia 17. Muito bom!!! E muita emoção... Eu que o diga... Chorona como eu só. Começo com o título "E foram felizes para sempre", porque, em primeiro lugar, adoro tudo ao avesso, e em segundo lugar porque considero que serão mesmo felizes para sempre. Começar com era uma vez... não dava... A festa foi linda, mas falo outro dia sobre tudo, inclusive da minha emoção. Quanto a vida que a Ju e o Fred vão ter em comum... Era uma vez....

O Casamento dos Pequenos Burgueses

Chico Buarque de Holanda

Ele faz o noivo correto
E ela faz que quase desmaia
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a casa caia
Até que a casa caia

Ele é o empregado discreto
Ela engoma o seu colarinho
Vão viver sob o mesmo teto
Até explodir o ninho
Até explodir o ninho

Ele faz o macho irrequito
E ela faz crianças de monte
Vão viver sob o mesmo teto
Até secar a fonte
Até secar a fonte

Ele é o funcionário completo
E ela aprende a fazer suspiros
Vão viver sob o mesmo teto
Até trocarem tiros
Até trocarem tiros

Ele tem um caso secreto
Ela diz que não sai dos trilhos
Vão viver sob o mesmo teto
Até casarem os filhos
Até casarem os filhos

Ele fala de cianureto
E ela sonha com formicida
Vão viver sob o mesmo teto
Até que alguém decida
Até que alguém decida

Ele tem um velho projeto
Ela tem um monte de estrias
Vão viver sob o mesmo teto
Até o fim dos dias
Até o fim dos dias

Ele às vezes cede um afeto
Ela só se despe no escuro
Vão viver sob o mesmo teto
Até um breve futuro
Até um breve futuro

Ela esquenta a papa do neto
E ele quase que fez fortuna
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a morte os una
Até que a morte os una


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Tão melhor um violão e um livro!!!

Olha, devo confessar. Televisão nunca me atraiu, mas como casamento às vezes muda a gente... O fato é que assumo: estou vendo novelas!!!! Mas olha, minha opinião não mudou em nada... Porque aguentar a Aline Morais com aquela mãozinha torta, fazendo o sensacionalismo "Manuelesco" de que "ah... vou pegar um ônibus para ver como é que uma pessoa que não tem condição o faz!!!!". Olha!!!! Porra, se você tem carro, motorista, tudo a mão... Me poupe... Me amarrota que eu tô passada!!! (né Aninha??? esta é sua!!!!) É muito sensacionalismo barato, e também muito pouca gente competente para trabalhar nestas preciosas novelas.
Por isto, nem tudo está perdido. Ultimamente, ando meio cansada, e por isto me vejo sempre em frente à TV com um bom livro nas mãos. Mas ontem, antes mesmo de pegar um bom livro para ler (estou me deliciando com "Elza Soares - Cantando para não Enlouquecer", do fantástico José Louzeiro), peguei mesmo foi o violão, pois há tempos não tenho paciência com a carinha de medíocre passada de Aline Morais, nem mesmo das ceninhas bem "Manuelescas" do bom menininho personagem do Tiago Lacerda, ou da boa Helena, personagem da Taisa Araújo (acho que é este o nome da "atriz")... Viram que o nome da personagem principal eu não esqueci né gente???? Afinal, poxa... De peso!!!
Bem, voltando ao violão... Óbvio, toquei algumas "modernosas" músicas, mas sempre volta à Marina Lima, ou Cazuza (o poeta da minha geração, sem dúvida!!!). E quando começo a tocar uma música do álbum "Burguesia", que há muito tempo não o fazia, dedilhando "Mulher sem Razão" (também interpretada pela magistral Adriana Calcanhoto), me deparei com uma frase, que só mesmo Cazuza para escrever uma "genialidade" desta: "Sonhar só não tá com nada. É uma festa na prisão." Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!! Orgasmo múltiplo....
Mas minha noite não estava completa... Cansada de dedilhar meu violãozinho, resolvi me postar em frente à TV, a esta altura com uma programação impecável... Na rede Globo passava "Casseta & Planeta"... Gente, quem não gosta destes imbecis???? Respondo: EU. Odeio estes caras que de criativos não têm nada, mas com têm um puta de um machismo arraigado neles. O maior deles faleceu. Mas continuam com o machismo de sempre. Peguei um livro né gente???!!!
Ninguém merece... Mas eu tenho a plena convicção de que eu mereço Elza Soares... E aí, na minha leitura, me deparo com um parágrafo hilário. Muito bom. E por isto quero compartilhar com vocês meus pobres leitores:
"Problemas sexuais resolviam-se a baixo custo nos rendez-vous concentrados na região do Mangue, que se estendia desde a Praça Onze à Cidade Nova. As mulheres, com carteira de saúde em dia, não podiam ter preconceito de cor nem perder muito tempo com o cliente. Cada sessão custava em torno de Cr$ 5,00 a Cr$ 10,00. Garotas menos tarimbadas, para evitar conversa fiada, faziam sexo lendo a revista Scena Muda, que tratava de cinema e da vida dos artistas."
Imaginem a cena!!!!! Que bárbaro... Você ali de perna aberta, com cara de paisagem, lendo com quem artista tal estava casado, ou de quem havia separado... Uhhhhhh! Muito bom. Vale a pena ler o livro todo, mas existem passagens que valem a pena entrar na história e só viajar na cena.
É isto, queria compartilhar este trecho fantástico do livro, e aquela frase que não sai da minha cabeça desde ontem, quando tava com meu violãozinho em punho.
Beijo no pâncreas

Em tempo:
Pequeno dicionário de bolso (da Pituca):
Manuelesco (as) - tudo que se refere às cenas pobres de diálogos que te acrescentem alguma coisa. Ou seja, tudo que se refere ao que o autor Manoel Carlos escreve. Traduzo: nada de interessante, e com muito sensacionalismo barato... Também falso moralismo... Etc, etc, etc...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Dieta que funciona

Este texto é de Luiz Fernando Veríssimo... Apesar de não concordar com algumas coisas que ele escreve (lógico... sem graça se todos fossem cordatos!!!), tem texto dele que é o máximo. Como este que recebi da Anny. Vale a pena ler.

"Cada semana, uma novidade. A última, foi que pizza previne câncer do esôfago. Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo,chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas, peraí, não exagere...Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos. Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal prá minha saúde. Prazer faz muito bem...Dormir me deixa 0 km...Ler um bom livro, faz-me sentir novo em folha...Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas, depois, rejuvenesço uns cinco anos ! Viagens aéreas não me incham as pernas...incham-me o cérebro, volto cheio de idéias ! Brigar, me provoca arritmia cardíaca...Ver pessoas tendo acessos de estupidez, me embrulha o estômago ! Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro, me faz perder toda a fé no ser humano...E telejornais...Os médicos deveriam proibir...como doem ! Caminhar faz bem, namorar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada. Acordar de manhã, arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite, isso sim, é prejudicial à saúde. E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda. Não pedir perdão pelas nossas mancadas,dá câncer, guardar mágoas, ser pessimista, preconceituoso ou falso moralista, não há tomate ou muzzarela que previna! Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau! Cinema é melhor prá saúde do que pipoca. Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia. Humor é melhor do que rancor. Amigos são melhores do que gente influente. Economia é melhor do que dívida. Pergunta é melhor do que dúvida. Sonhar é o melhor de tudo e muito melhor do que nada!"

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Isto é compartilhar uma vida!!!!

Meu amor leu este texto na TPM, uma das revistas mais fantásticas que conheço, e me mandou. Nossa... É muito legal!!! Isto é conviver, compartilhar uma vida!!!! O pior é que muitas vezes a gente se identifica no texto!!! O caso dos cachorros pisando na gente na cama... é uma delas... Mas a parte que mais identifica é com certeza a última parte... "...tudo o que me importa é abrir os olhos e ver você, todos os dias, do meu lado."



Mais uma noite com você

Dormir ao seu lado é sempre um prazer. Mas algumas noites são mais frescas do que outras

Texto por Milly Lacombe

Eu vi que a noite seria longa assim que cheguei em casa e fui recebida com a frase: “Estou muito gripada. Não vai dar para dormir com o ar-condicionado ligado”.

Há anos você conhece meu apego pelo poder do ar-condicionado e, depois de alguma negociação, até permitiu que eu ligasse o aparelho todas as noites, insistindo apenas para que comprássemos um umidificador, já que seu nariz fica muito seco e você, sempre que isso acontece, que é com frequência diária, acorda amaldiçoando a falta de umidade do quarto por culpa do ar-condicionado, como você gosta de repetir entre sete e oito da manhã, quase todos os dias. Assim, o umidificador foi trazido para morar em nosso quarto – o que diminuiu sensivelmente as reclamações em relação ao ar-condicionado.

Por isso, e porque conheço a força de uma sentença, apenas balancei a cabeça como quem concorda. E ainda verbalizei a obediência dizendo “claro, claro”.

Foi assim que, mesmo sob uma temperatura que beirava os 50 ºC, deitamos sem ligar o aparelho que teria deixado o quarto como a antessala do paraíso. Você dormiu quase imediatamente, e eu sei disso porque sua respiração mudou antes mesmo que eu começasse a suar, e eu comecei a suar em menos de 30 segundos.

A fim de sonhar um pouco com a brisa que ainda não entrava pela janela, adotei a atitude de não me mexer. Assim, imaginei, estancaria o suor e, quem sabe, conseguiria dormir. Você se moveu uma única vez, e foi para puxar a coberta sobre seu ombro, sinalizando que não estava dando bola para os 60 ºC de temperatura do quarto.

Comecei então a lembrar das primeiras noites naquele apartamento tão pequeno e quente. Fazíamos amor até o dia nascer e suávamos torrencialmente. Não havia ar-condicionado, apenas um ventilador que não resolvia nada. Interrompíamos nosso desespero carnal apenas para tomar litros de água. Acho que passei uns seis meses sem dormir, alimentada da paixão mais intensa e animal que já experimentei.

Estado líquido

Agora, quatro anos e duas casas depois, estou olhando para o teto, respirando lentamente para tentar parar de suar. Ao meu lado, você dorme fazendo aquele barulhinho que sempre me deixa com vontade de te beijar no meio da noite. Mas não hoje, porque estou tentando evitar me mover.

E então começa a chover. Fosse eu minimamente religiosa, teria agradecido a Deus pela graça alcançada. Com a janela escancarada, o vento, enfim, entra. Eu, finalmente, pego no sono. E sei disso porque, quando acordo, no meio da noite, você está em pé do meu lado da cama, como uma assombração.

– Por que você está fechando a janela? – pergunto, tentando manter a calma.

– Você não viu que está chovendo? – responde você, quase tão seca quanto o quarto depois de uma noite com o ar ligado.

Sim, eu tinha visto e só não saí pulando como um pardal da manhã pelo quarto porque meu objetivo era dormir antes de o dia nascer.

Não tenho tempo para a réplica porque você vai ao banheiro. Mas penso: “Se ela fechou a janela é porque vai ligar o ar-condicionado, claramente”. Só que você volta para a cama e simplesmente deita. Em choque, tento questionar a atitude insana, ainda que docemente:

– Qual a ideia? Deixar a janela fechada sem o ar ligado?

E é então que sua fúria verbal passa como um raio pelo quarto.

– Ideia? Não tem ideia nenhuma! Estou gripada, sem respirar direito. Não tem ideia!

Recolhida ao meu lado da cama, tento manter a calma porque, é evidente, você perceberá que a temperatura do quarto, sem ar e com a janela fechada, vai bater os 100 ºC. E, diante dessa constatação, vai ligar voluntariamente o aparelho. Por isso, é em estado de terror que noto sua respiração funda – você dormiu outra vez.

O grande milagre é que eu também durmo. E eu só sei disso porque acordo, ainda de madrugada, com você me chamando.

– Você não está com calor?

Com calor eu estava quando deitei. O que sentia naquele momento é o que deve sentir um pedaço de ferro minutos antes da liquefação. Mas, ainda assim, eu tinha conseguido dormir até você me chamar.

“Vou abrir a janela”, você avisa. A chuva lá fora tinha se transformado em dilúvio e, como a janela fica do meu lado da cama, era natural que, ao abrir a janela, chovesse em mim. Mas não consigo dizer nada disso e deixo você levantar e abrir a janela.

Como previsto, começa a chover em mim. Mas, ainda assim, isso é melhor do que o calor de antes. Então, mais uma vez por milagre, durmo.

E eu sei disso porque ouço, ainda de madrugada, você me chamando. Decido fingir que estou em sono profundo – e certamente estaria se minhas costas não estivessem tão molhadas – e só respondo quando ouço você dizer meu nome pela décima vez.

– Tem água do seu lado? – você quer saber.

Tem água nas minhas costas, mas, por instinto de sobrevivência, não dou essa resposta. Em pânico, percebo que a garrafa d’água não está ali.

“Vou buscar pra você”, digo, na esperança de que um gesto tão altruísta faça brotar em você a consciência de que só o ar-condicionado nos salvará. Mas você está impressionantemente ativa para alguém tão gripada e, antes que eu possa secar minhas costas e levantar, já está de volta com a garrafa d’água.

Mais uma vez, deitamos, e eu, mais uma vez, consigo dormir. Só sei disso porque acordo, ainda de madrugada, com você me chamando. Decido ignorar o chamado. E você ignora minha ignorada.

“Vou pegar as cachorras”, você avisa. “Elas têm medo de trovões”, justifica.

Pensando agora com clareza, essa era a única possibilidade de deixar a noite ainda mais calamitosa. E as duas cachorras se somam ao calor e à chuva e pulam na cama, pisando em minha barriga, em minha cabeça, em qualquer chance de dormir algumas horas. Uma delas se coloca no meu travesseiro e ameaça me morder quando tento tirá-la dali. Com o olhar, você dá razão à cachorra. Sou salva pelo despertador.

Você sai da cama sem me dar um beijo, e eu queria um beijo não apenas porque seu beijo é o que me faz existir, mas para que você notasse como eu estava salgada de tanto suar.

Devo ter dormido enquanto você tomava banho porque quando abri os olhos você estava em pé, de costas para mim, completamente nua, revirando calças no armário.

Há quatro anos não me canso de olhar para o seu corpo com a devoção que só os beatos têm por seus santos. Não há no mundo um corpo mais perfeito, mais atraente, mais tentador. Seu cabelo preso em um coque, as costas largas e douradas, a cintura perfeita. Tudo a serviço da minha paixão e da minha obsessão, que só fizeram aumentar desde as noites em que não parávamos de suar e de fazer amor naquele apartamento minúsculo.

Você me vê e sorri. Abaixa e me beija, sussurrando desculpas pela noite maldormida. E eu entendo que posso passar mais 100 mil noites como essa porque tudo o que me importa é abrir os olhos e ver você, todos os dias, do meu lado.

A carioca Milly Lacombe, 42 anos, é jornalista.