segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Pé no falso moralismo!!!

Não precisa dizer que esta música é antiga, mas tão atual... O falso moralismo, cada dia que passa, parece que aumenta neste país. É preconceito e falta de respeito com as pessoas. Aliás, a grande maioria que atira pedra, que ataca os outros, são os piores... Bem, mas sem discurso né... Vale mesmo a pena é assistir à interpretação de Maria Eugênia... Uma atriz nata. Coloca sua alma na arte de cantar. Aliás, podem conferir. Ela é goiana mas não faz parte de nenhuma dupla sertaneja... Afinal, graças a Deus, em Goiás tem muita gente boa... Exemplo: Maria Eugênia... Clique aqui

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Não pense... Imagine... Faça...

Este vídeo é lindo, emocionante e muito louco!!! Fragmento: ""Não penso, imagino e faço." Outro fragmento: "...fazer o que a gente não gosta é o maior desemprego do mundo..." Precisa dizer mais????? Basta você assistir clicando aqui.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Zélia Duncan - Palavra Encantada

Como diria minha mãe, me deu, desde o final de semana, "Palavra (En) Cantandisse". Explico: vamos até o dicionário da Pituca e procurar na letra M. É que toda vez que eu tirava o dia pra ler algum autor, ou escutar algum cantor/autor, minha mãe logo gritava: "Eh menina, hoje tá com Cazuzite" (quando era Cazuza); ou então, "Eh menina hoje está com Dantite" (quando se referia a Dante). E por aí afora. Depois de ver tantas pérolas neste documentário, resolvi colocar aqui para compartilhar com meus fiéis seguidores. Zélia fala de Hilda Hilst, que se eu não me engano morreu em 2004, e pouco antes de passar desta pra melhor, teve um encontro com Zeca Baleiro, que musicou alguns poemas da autora. Aliás, é hilário, e verdadeiro, quando ela diz que todos "cagam" para os poetas... E é lindo também Zélia cantando... Vale a pena ver... O que está em negrito é o que Zélia canta. O vídeo tá lááááááááá embaixo.... Vejam!!!

ODE DESCONTÍNUA E REMOTA PARA FLAUTA E OBOÉ. DE ARIANA PARA DIONÍSIO

I

É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.
Voz e vento apenas
Das coisas do lá fora

E sozinha supor
Que se estivesses dentro

Essa voz importante e esse vento
Das ramagens de fora

Eu jamais ouviria. Atento
Meu ouvido escutaria
O sumo do teu canto. Que não venhas, Dionísio.
Porque é melhor sonhar tua rudeza
E sorver reconquista a cada noite
Pensando: amanhã sim, virá.
E o tempo de amanhã será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência.


II

Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu

Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes adeus.


III

A minha Casa é gurdiã do meu corpo
E protetora de todas minhas ardências.
E transmuta em palavra
Paixão e veemência

E minha boca se faz fonte de prata
Ainda que eu grite à Casa que só existo
Para sorver a água da tua boca.

A minha Casa, Dionísio, te lamenta
E manda que eu te pergunte assim de frente:
À uma mulher que canta ensolarada
E que é sonora, múltipla, argonauta

Por que recusas amor e permanência?

VI

Três luas, Dionísio, não te vejo.
Três luas percorro a Casa, a minha,
E entre o pátio e a figueira
Converso e passeio com meus cães

E fingindo altivez digo à minha estrela
Essa que é inteira prata, dez mil sóis
Sirius pressaga

Que Ariana pode estar sozinha
Sem Dionísio, sem riqueza ou fama
Porque há dentro dela um sol maior:

Amor que se alimenta de uma chama
Movediça e lunada, mais luzente e alta

Quando tu, Dionísio, não estás.

VIII

Se Clódia desprezou Catulo
E teve Rufus, Quintius, Gelius
Inacius e Ravidus

Tu podes muito bem, Dionísio,
Ter mais cinco mulheres
E desprezar Ariana
Que é centelha e âncora

E refrescar tuas noites
Com teus amores breves.
Ariana e Catulo, luxuriantes

Pretendem eternidade, e a coisa breve
A alma dos poetas não inflama.
Nem é justo, Dionísio, pedires ao poeta

Que seja sempre terra o que é celeste
E que terrestre não seja o que é só terra.


IX

“Conta-se que havia na China uma mulher
belíssima que enlouquecia de amor todos
os homens. Mas certa vez caiu nas
profundezas de um lago e assustou os peixes.”

Tenho meditado e sofrido
Irmanada com esse corpo
E seu aquático jazigo

Pensando

Que se a mim não deram
Esplêndida beleza
Deram-me a garganta
Esplandecida: a palavra de ouro
A canção imantada
O sumarento gozo de cantar
Iluminada, ungida.

E te assustas do meu canto.
Tendo-me a mim
Preexistida e exata

Apenas tu, Dionísio, é que recusas
Ariana suspensa nas tuas águas.


X

Se todas as tuas noites fossem minhas
Eu te daria, Dionísio, a cada dia
Uma pequena caixa de palavras
Coisa que me foi dada, sigilosa

E com a dádiva nas mãos tu poderias
Compor incendiado a tua canção
E fazer de mim mesma, melodia.

Se todos os teus dias fossem meus
Eu te daria, Dionísio, a cada noite
O meu tempo lunar, transfigurado e rubro
E agudo se faria o gozo teu.



Dos Três Mal Amados - Cordel do Fogo Encantado

Final de semana assisti ao documentário Palavra (En) Cantada, que tem participação de interpretes e poetas da nossa MPB, falando justamente da grande maravilha Poesia/Música. Dirigido por Helena Solberg, percorre uma viagem na história do cancioneiro brasileiro com um olhar especial para a relação entre poesia e música. Vale a pena ver... Inclusive por ter esta divina interpretação de Lirinha (do extinto Cordel do Fogo Encantado). Recitar João Cabral de Melo Neto não é pra qualquer um!!!!