quinta-feira, 28 de março de 2013

Música boa no feriadão!!!!

Pearl Jam e Planet Hemp é quinta agora no Black Jack, às 22h30.
Quem tem ingresso do Lollapalooza não paga, só apresentar no caixa nesse dia!
Entrada R$ 12,00.




Radiohead é no sábado, Black Jack, às 22h30.
Entrada R$ 12,00.
Sorteio de uma vodka e um DVD oficial da banda.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Cia Rogê e "o fino trato" à Geografia da Palavra

"A vitrola mantém viva 
as lembranças
-bastidores bordados tenças-
em discos de acetato
que se tratam com fino trato
pra recuperar
-agora sim-
o tempo perdido."





E ponto???!!!.... Não... Só um aperitivo!!!!!! Estes versos e muitos outros serão emoldurados pela Cia Rogê nos dias 12 e 14 de abril. A poesia de Jorge Alberto Nabut, nua e crua no Teatro José Maria Barra. 
Esta Companhia de Teatro apresenta montagem do "Geografia da Palavra". O diretor e ator, Emílio Rogê comemora o fato de ter conseguido o amadurecimento para este espetáculo. Ele afirma que ano passado, no dia 28 de março, foi realizada no mesmo palco, a primeira montagem da obra de Nabut, mas que agora, com ensaios abertos, houve a chance de aprimorar mais, e também captar opiniões importantes. "O próprio Jorge (Nabut) fez algumas adequações. Sugeria aqui e ali, o que ajudou muito a aperfeiçoar esta montagem", destaca Emílio.
Questionado se este teria sido o grande espetáculo do grupo teatral, ele afirma que tem certeza disto. "Depois de muito caminhar, já que estamos na estrada desde 2005, percebo que antes nós achávamos que era uma outra apresentação a melhor. Mas da montagem ano passado e da maturidade conquistada este ano, percebemos que esta é nosso grande trabalho", observa.
O diretor e ator faz um balanço "muito" positivo desta atual apresentação, lembrando da relação estreita que o grupo tem hoje com o autor do "Geografia da Palavra", o que permitiu a assimilação de um novo conceito, o que deu um formato único ao espetáculo. "Também não posso deixar de destacar a grande "ajuda" que tivemos de pessoas que passaram por aqui e opinavam de maneira decisiva na coreografia, o que deu uma nova roupagem na montagem como um todo", pondera. Neste caso, ele lembra de Marsial Azevedo e Beth Dorça. "Tiveram participação fundamental", diz.

Destaque -  Outro fator que, para Emílio, faz a diferença, é a música ao vivo. "Convidamos Daniel Lopes para a coordenação musical. Ele estará à frente do piano e Isabella Araújo, na flauta transversal", pontua. Na opinião do diretor e ator do espetáculo, esta poesia complexa e que retrata tão bem o espírito uberabense, não poderia ter melhor tradução com a música de Stephen Sondheim. "No Brasil houve somente um musical que trouxesse este compositor. Ele é muito forte e complexo, como a obra de Jorge", acredita. 

Laços - Hoje, Emílio afirma que há um laço muito forte com a obra de Jorge Nabut, e lembra o início desta trajetória, quando assistiu "A Casa das Três Janelas", montagem de Beth Dorça. "Foi lindo!! Tinha que fazer uma montagem teatral e a apresentamos em 2010 no TEU (Teatro Experimental de Uberaba)", recorda. 
"A Casa das Três Janelas" é baseado na obra homônima de Jorge Nabut, que retrata uma trágica história familiar. Através do relacionamento de três primos, o espectador é convidado a viajar por velhos tempos e costumes que o aproxima da história do Triângulo Mineiro. 
Emílio acredita que a obra de Nabut tem um laço atemporal, de uma grande força histórica, e o "Geografia da Palavra" não foge a este contexto. "Por isto, em 2012, realizamos a primeira montagem deste espetáculo, e tivemos uma temporada no TEU. Mas não me canso de repetir, está extremamente maduro este ano", frisa.
                                                    Fotos: Ana Paula Neves

Para Thaís Helena Syllos Cólus, da Alternativa Cultural, que também realiza o evento, ano passado foi uma grande surpresa a receptividade do público, o que credencia ainda mais o espetáculo. "Quem observou, sentiu o quão as pessoas se interessaram pelo livro na saída da montagem. Isto endossou o que todos já sentiam, de que o grupo realmente impressionou", comemora.
"Geografia da Palavra em concerto" terá apresentação no dia 12 de abril, sexta-feira, às 21h; e 14 de abril, domingo, às 20h; no Centro de Cultura José Maria Barra. Os ingressos (R$ 50,00 inteira, e R$ 25,00 meia) podem ser adquiridos na Alternativa Cultural, localizada na rua Major Eustáquio, 500. 


Ficha Técnica

Geografia da Palavra em concerto
Baseado na obra de Jorge Alberto Nabut

Música e Letras
Stephen Sondheim

versão brasileira
Cláudio Botelho

Música Adicional
Chico Buarque, Milton Nascimento e Chopin

Dramaturgia, Direção e Coreografias Originais
Emílio Rogê

Direção Assistente
Guilherme Martins

Revisão das Coreografias e Dance Captain
Michael Fernandes

Coreografia Adicional
Marsial Azevedo

Preparação Vocal
Daniel Lopes

Supervisão Artística
Beth Dorça

Cenários e Figurinos
Criação Coletiva Cia. Rogê

Produção Artística
Anna Carla Oliveira

Equipe Técnica Cia. Rogê
Eduarda Cunha, Karen Luíza e Mayumme Maruki

Produção Executiva e Coordenação Técnica
Nômade Produções

Identidade Visual
Mari Comunicação

Promoção
Aonde Ir Uberaba

Realização
Cia. Rogê e Alternativa Cultural

Elenco
Vanessa Dornellas
Natália Patrícia
Amanda Araújo
Jonathã Martins
Michael Fernandes
Guilherme Martins
Emílio Rogê

Participação Especial
Beth Dorça
Rose Dutra
Luana Rodrigues

Músicos
Daniel Lopes (piano)
Isabella Araújo (flauta transversal)

+ Informações:

Projeto "Território Poesia" na Alternativa Cultural

Trabalhos realizados por crianças atendidas pelo Ponto de Cultura Livro em Cena serão apresentados na Livraria Alternativa Cultural. Trata-se do projeto "Território Poesia", resultado do trabalho destas crianças e Cia Rogê. São releituras poéticas e concerto musical da obra do Jorge Alberto Nabut, Geografia da Palavra. "Estão surpreendentes os trabalhos destas crianças de faixa etária entre 6 e 10 anos", comemora o diretor e ator da Cia Rogê, Emílio Rogê.
Na oportunidade, terá ainda o lançamento de edição especial do Jornal MUH! - Universos em Versos da "Geografia da Palavra", e também da sua 5ª edição. 
Não percam este sarau, que acontece no dia 2 de abril, terça-feira, a partir das 19h30, na Livraria Alternativa Cultural, que fica localizada na rua Major Eustáquio, 500. Vá lá!!!!

sexta-feira, 22 de março de 2013

REFLEXÕES SOBRE A HOMOFOBIA

Os jornais da cidade de Uberaba, local gostoso no qual moro há quase 30 anos, estamparam, dias atrás, denúncia de um jovem fora agredido em uma boate GLBT aqui instalada. Eis uma das matéria jornalística:
“Estava discutindo com meu companheiro, uma discussão normal, sem tapas. E um dos amigos do dono da boate entendeu que estava aconteceu algo mais grave e me abordou com um golpe conhecido como gravata. Nesse momento fiquei inconsciente, conseguia ver apenas algumas sombras, ainda dentro do estabelecimento. Quando me levavam para fora, os seguranças me bateram com chutes e socos”, revela Marcelo, ressaltando que foi o dono da boate que o colocou para fora.
O cabeleireiro diz que ficou indignado com a situação, pois entende que se os seguranças estavam preocupados com a discussão dele com o companheiro, apenas o expulsasse da festa, não era necessário bater. 'Cheguei a chamar o proprietário de covarde, ele ficou nervoso e me perseguiu pelas ruas próximas à boate, até o Mercado Municipal. Quando pensei que estava livre, pois não o avistava mais, dois seguranças dentro do veículo me abordaram e me bateram, deixando marcas nas costas e no olho', diz."
Primeiramente, fato praticamente incontestável, é que grande parte, talvez a maioria absoluta, dos seguranças dos estabelecimentos, em especial de casas noturnas, não são preparados, treinados devidamente, para conter problemas sem utilizar agressões desmedidas. Conheço várias pessoas que foram convidadas para atuar no setor somente por terem o corpo malhado, demonstrando força física, os famosos "leões de chácara".
Noutro giro, esses mesmos seguranças NÃO SÃO treinados para respeitar a homoafetividade e acabam, no exercício de suas funções, por intimidar pela força física ou com safanões e porradas, aqueles que fogem do padrão que os Felicianos, Franciscos e Malafaias da vida ditam como certo no comportamento amoroso.
Numa rede social, onde o assunto foi comentado, o que não faltou foi gente dizendo que os "gays e lésbicas têm que se dar ao respeito". Mas o  que é se dar o respeito? Seria não demonstrar publicamente seu afeto por seu companheiro ou companheira pelo mesmo ser homossexual?
Entretanto, desculpem os que pensam assim, mas isso não é dar ao respeito, mas sim se curvar à sacrossanta homofobia de cada dia, que permeia a sociedade capitalista e, como parte dela, a sociedade brasileira.
Se você é gay ou lésbica e nunca sofreu atos de intolerância por sua opção sexual, sorte sua, pois, até mesmo quem é apenas amigo de gays sofre preconceitos em nossa sociedade. As agressões motivadas por intolerância ao amor homoafetivo estão ai, aos quatro cantos, para confirmar minhas palavras.
Hoje tenho quarenta anos, sendo que minha militância socialista (sou militante do PSTU, partido que tenho orgulho de dizer combate o machismo e a homofobia na sociedade, começando esse combate dentro de suas próprias fileiras) ajudou-me a romper com os preconceitos impostos pela formação que recebi na escola, na família, na igreja, enfim na sociedade na qual vivo.
Voltando ao caso de Marcelo Paiva, o jovem que sofreu a agressão acima mencionada tenho que ele foi mais uma vítima da intolerância e falta de respeito ao próximo que permeia nossa sociedade.

Adriano Espíndola Cavalheiro do Blog Defesa do Trabalhador

terça-feira, 19 de março de 2013

Atenção Belo Horizonte!!!


A partir de hoje, sempre às 20hs, no antigo Centro de Cultura Belo Horizonte (hoje Centro de Referência da Moda), prestigiem os concertos intimistas, que apresentam parte da nova geração de violonistas belorizontinos, em diversos gêneros e estilos. A entrada é franca, com retirada de senha uma hora antes. Os ingressos são limitados, sendo que a capacidade do teatro de no máximo 70 pessoas. O uberabense Carlos Walter se apresenta dois dias da semana. Vejam:


Dia 19 - terça-feira – Humberto Junqueira
Dia 20 - quarta-feira – Carlos Walter e Sílvio Carlos – 13 Cordas
Dia 21 - quinta-feira – Marcos Frederico e Carlos Walter
Dia 22 - sexta-feira – André Rocha Trio
Dia 23 - sábado – Aulus Rodrigues
Dia 24 - domingo – Ângelo Caixeta
Dia 25 - segunda-feira – Ricardo Marçal

Maiores informações: (31)-3277-4384

Entrega do troféu II Semana de Artesanato no TEU


Hoje, a partir das 19h30, no TEU (Teatro Experimental de Uberaba), acontece a entrega do troféu II Semana de Artesanato de Uberaba, com show do Grupo Sopro Som. A abertura da II Semana de Artesanato de Uberaba acontece no domingo (17), na praça da Concha Acústica, com Feira de Artesanato e apresentações musicais do Coral Cheiro de Relva e Grupo Choro de Aprendiz.    
Amanhã, a diretora de Artesanatos do Governo de Minas, Patrícia Maia, discorre sobre o tema “O Artesanato como Ferramenta de Desenvolvimento Econômico”, a partir das 19h30. Em seguida, o cientista social e filósofo, Rodrigo Starling, falará sobre “Voluntariado Transformador – O Desafio das Práticas Sustentáveis”. A música da noite fica por conta do Quarteto de Flautas Transversais.
Já dia 24, domingo, a partir das 13h, tem a realização de diversas oficinas artesanais, também no TEU. Temos ainda a exibição do filme Lixo Extraordinário. 
A Semana de Artesanato é promovida pelo Instituto Beira de Estrada, Projeto Cantinho e Fundação Cultural, com apoio da Prefeitura de Uberaba.


segunda-feira, 18 de março de 2013

O imaginário de princesa e as festas de 15 anos


Texto de Karen Polaz - publicado no "blogueiras feministas"

Ultimamente, o imaginário de princesa tem sido tema de discussão na blogosfera feminista. Aqui, no Blogueiras, publicamos o ótimo texto da Ludmila Pizarro: Reflexões de uma mãe feminista sobre a cultura das princesas. Poucos dias depois, a pesquisa da antropóloga Michele Escoura teve ampla repercussão nas redes sociais: Princesas da Disney moldam feminilidade em crianças. Ludmila compartilhou suas reflexões de mãe feminista sobre a forte influência que a cultura de princesas exerce sobre as meninas. Já Michele tratou, em seu estudo, de como o imaginário dos contos de fadas e princesas, reforçado pelos filmes da Disney, serve de referencial do que é ser mulher para as garotas.
Ainda em 2012, iniciei uma discussão em nossa lista sobre como essa cultura de princesas estava atrelada à tradição das festas de 15 anos para as meninas. Antigamente, as festas de debutantes consistiam num rito de passagem, ocasião em que se oficializava que essas crianças se tornavam mulheres e, portanto, poderiam namorar e usar roupas de adulta, por exemplo. Também serviam para apresentar essas adolescentes à sociedade – a palavra francesa “debutante” significa iniciante ou estreante. Os tempos mudaram e parece não haver dúvidas de que, hoje em dia, os tradicionais motivos para a realização das festas de 15 anos não são mais os mesmos e nem se justificam. No entanto, a comemoração das debutantes segue viva e atuante como nunca.
Há quem diga que as festas de hoje passaram por um esvaziamento simbólico de seu significado original e se transformaram em megaeventos de pura ostentação. Pelo menos entre os grupos sociais médios e altos, não são poucas as famílias que optam por bancar uma comemoração de grande porte a custos elevadíssimos. Há meninas que começam a se programar um ano antes da festa, até para conseguir vaga no salão no dia desejado. Durante os meses que antecedem a festa, as garotas avaliam catálogos de convites, decoração, vestidos, buffet, doces, banda, barman, inclusive levando dúvidas e sugestões para a escola, a fim de discutir preços com as amigas e ouvir suas opiniões. Mães, pais e filhas não estão sozinhos, pois existe uma gama de empresas e profissionais autônomos especializados para cuidar da organização e levar em conta os mínimos detalhes.
O imaginário de conto de fadas, por sua vez, permeia todo esse processo, bastante evidente no vestido longo de saia bufante, em geral cor de rosa. Em muitos casos, a coroa é um dos adereços mais característicos da debutante e já ouvi boatos de mães e pais que não se furtam a reproduzir o ambiente de castelo na decoração da festa. O símbolo maior talvez seja a figura do “príncipe” que vai dançar a valsa com a aniversariante. Quem tiver namorado, quase sempre escolhe dançar com ele. Quem não tiver, pode aproveitar o momento para convidar o rapaz que considera um “colírio” ou, dependendo do interesse e da condição financeira familiar, contrata um modelo ou ator famoso.
Dentre a população de baixa renda, por exemplo, o sonho da festa de 15 anos e da valsa com o “príncipe encantado” não está adormecido. No Rio de Janeiro, inclusive, algumas UPP’s realizam grandes bailes de debutantes para as garotas da comunidade com direito a ator global como príncipe e tudo. Como visto na reportagem de dezembro de 2012: UPP providencia baile de debutantes. Para uma das mães desta reportagem, a festa de debutante da filha no Morro da Providência foi “a realização de um sonho de 15 anos”.
Como se vê, o gosto pela ostentação dos megaeventos não é intrínseco apenas aos grupos ricos, acontece que são eles que dispõem de mais recursos financeiros para colocar em prática. Numa sociedade capitalista como a nossa, demonstrações de poder e status fazem parte do cotidiano de todxs nós, independente de classe social. Seja na compra de carros, roupas de marca e aparelhos eletrônicos modernos. Também nas festas de 15 anos é evidente que existe um aspecto intenso de ostentação material, de cada garota querer fazer melhor que a coleguinha. A ostentação, porém, assume múltiplas formas.
Costumo dizer que todo mundo deve conhecer alguém que ostenta “conhecimento”, títulos acadêmicos e idiomas falados e acredita que esteja fora do circuito de ostentação, apenas por não se tratar diretamente de bens materiais — embora seja necessário dinheiro para obtê-los. Ostentação é comunicação e, de fato, está longe de ser vazia de significados morais e simbólicos. Ostentar, portanto, mantém-se na ordem do dia e nos informa a que veio.
Assim sendo, a maioria das meninas que opta por realizar grandes festas de 15 anos, ainda que influenciadas pelas amigas ou pelos pais, não me parece querer ostentar por ostentar ou seguir a tradição por seguir, sem sentir nem pensar no significado daquele ritual. Se fosse uma tradição que não gerasse prazer, acredito que não teria tantas adeptas e não mostraria tamanha força. Sem contar, ainda, que o simbolismo das festas e comemorações também causa bastante interesse e comoção. Aquele clima lúdico de participar dos preparativos, de ajudar na confecção do que quer que seja, povoa o imaginário de muita gente e pode despertar lembranças de certos momentos da vida, como a infância.
Dito isto, acredito que as mega festas tenham mais a ver com a centralidade que os filhos vêm tomando na vida das mães, pais e dos adultos em geral. O imaginário da princesa nas festas de debutantes, para as meninas, cumpre esse papel: de ser uma garota “especial”, mais especial que as outras — nem que seja por um dia. No dia da festa, todas as atenções dos familiares e convidados são voltadas para uma única pessoa, fator que gera prazer e uma sensação de merecimento de tamanha deferência.
O ponto que me intriga nisso tudo é que o sentimento de “ser especial”, para as meninas, está tão preso à ideia de se assemelhar a uma princesa que parece não haver referencial alternativo. Quase não há espaço para ser especial de outras formas, encarnar outros projetos de vida que não aqueles relacionados a padrões estéticos de beleza e de comportamento dominantes. E, talvez mais importante, aí encontramos manifesta “a necessidade de vínculo conjugal da princesa com um príncipe”, como constatou a antropóloga Michele Escoura em sua pesquisa.
Nesse sentido, as festas de 15 anos são tão causa e consequência do imaginário de princesas e príncipes quanto o ritual do casamento. Para as meninas, as festas de debutantes estão longe de serem comemorações de aniversários comuns, como os de 14 ou 16 anos. O ambiente de megaevento, preparado com meses de antecedência, do vestido, da coroa, das quinze amigas, da valsa com o pai e, depois, com o namorado/príncipe são similares ao casamento: megaevento, vestido, grinalda, madrinhas, entrada com o pai ao encontro do futuro marido/príncipe. Para Michele Escoura, ainda em relação às meninas focalizadas em seu estudo: “a imagem das princesas é totalmente dependente do príncipe, e apesar das grandes diferenças nas narrativas, a realização de si enquanto um exemplo de feminilidade só é completa após o casamento ou a sua sugestão”. Pois é…
Não negligencio o fato de haver as garotas que se empolgam com as festas de debutantes e não sonham em se casar, que preferem ganhar uma viagem de aniversário a investirem numa big festa, que consideram os 15 anos como um aniversário qualquer, que se revoltam com os contos de fadas. Mas me parece evidente que a maior parte das meninas cresce em meio ao imaginário de princesas e acaba por tomá-lo como o único referencial possível.
Faço coro à Michele Escoura e Ludmila Pizarro, quando defendemos que as meninas possam sonhar não apenas com castelos e príncipes encantados, mas também com uma infinidade de figuras humanas, cada uma com suas particularidades, dissabores e delícias. Fica o apelo para que os meninos, por sua vez, não excluam definitivamente do seu rol de atividades a opção de poderem brincar de princesas (de boneca, de casinha, de cabeleireiro). Tenho certeza que tem muito menino e homem adulto por aí com vontade reprimida de usar vestido, de fazer as unhas, de usar maquiagem, de adentrar esse universo cheio de cores e fantasia que costuma se restringir às meninas e mulheres.
Tenho comigo que as histórias únicas devem ser evitadas, mas tem que haver um esforço coletivo para colocar outros mundos em ação e para que não seja tirada de ninguém a possibilidade de, pelo menos, imaginar.

Karen Polaz

Sou formada em Ciências Sociais e faço mestrado em Sociologia da Educação, mas também amo dançar, escrever, desenhar, assistir filmes, viajar, comer chocolate e por aí vai e tudo vai meio que nesses sentidos.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Pizza da Supra


Bora lá ajudar os bichinhos gente!!!!!! Retire seu convite a partir de amanhã, dia 15 de março, nas feirinhas de adoção e com voluntários da Supra. Tá baratinho até, e muitos bichinhos que dependem da Supra serão beneficiados... Ah, e além disto, não esqueçam das doações, e também de ir lá adotar!!!!!!!! Sua vida será bem melhor. Agenda aí: no sábado, dia 16, das 8h as 13h na praça Jorge Frange tem feira de adoção. Vamos lá adotar um bichinho e comprar o convite (que pode ser adquirido até o dia 30 de março)!!! O endereço para retirada da pizza, no dia 7 de abril, está no convite.

sexta-feira, 8 de março de 2013

No Dia Internacional da Mulher: "Marcas de Batom"


Abaixo transcrevo algumas partes de um texto de Frei Betto publicado na revista Caros Amigos em setembro de 2001. Antigo??!!! Não... Extremamente atual!!! O texto é muito longo, e por isto escolhi alguns tópicos, mas quem quiser ler, na íntegra, basta clicar aqui. Isto mesmo... Ele está aqui, neste espaço.
Infelizmente, tudo o que ele diz no texto sobre o caminho "árduo" que a mulher percorre, ainda é realidade hoje. A única diferença, é que hoje, temos redes sociais, e mais comunicação para podermos travar nossas lutas pela legalização do aborto, contra estupros, espancamentos, assassinatos... Denunciar!!!!!!! Mas ainda tem muito o que galgar, mesmo porque, em pleno século XXI a mulher ainda é culpada de tudo. Não é dona do próprio corpo, pois as bancadas evangélica e católica "não permitem" a legalização do aborto (mesmo porque, lógico, nunca nenhum digníssimo evangélico ou católico "mandou" uma namorada fazer aborto!!!!!)... Também é culpada pelo fato de ter sido estuprada... Afinal, ela estava com um vestidinho muito curto, e deu motivo para o estuprador... Afinal, ela é uma depravada!!!! 
Ou seja, violência de todos os tipos sofremos no decorrer do dia, do mês, da vida!!! Mas lutamos.... Estamos erguidas. Os números da violência contra a mulher ainda são alarmantes. Mas estamos aqui, como diria meu poeta, "sobrevivendo sem um arranhão". Hoje, é o Dia Internacional da Mulher. Dia este para reflexões e luta. Ah!!! E falando em luta, vamos falar do feminismo (inclusive este texto do Frei Betto que vão ler abaixo é sobre a evolução do feminismo). Engraçado. Toda vez que faço alguma denúncia, ou chamo as mulheres para a luta, tem gente (mulher hein!!!!) que diz: "Não sou a favor do machismo e nem do feminismo... Se não aceita o machismo, o feminismo é a mesma coisa." Não é!!!!! O machismo mata, humilha. O feminismo só quer garantir o direito da mulher de ir e vir. De ser gente!!!! É muito diferente. E outro detalhe: sempre dizem que você é chata pelo fato de ser feminista, mas ninguém diz que o machista é chato. Também que toda feminista é sapatão (dizem desta forma mesmo S-A-P-A-T-Ã-O!!!!!)... Mas não dizem que todo machista é viado...
E neste dia, o meu único grito é: "Vamos continuar nossa luta. Vamos continuar brigando pelos nossos direitos passando por cima de bancadas, de machistas, enfim, de falso moralistas.

A capa e a página da Caros Amigos onde você pode encontrar o texto de Frei Beto


MARCAS DE BATOM 

Frei Beto
Tome-se uma mulher. A meu ver, nada mais belo em toda a natureza. E completo, pois é portadora de vida, enquanto o homem é apenas provedor. Matrimônio, vínculo que assegura a unidade familiar, promovido por Jesus a um dos sete sacramentos. Patrimônio, a posse dos bens que sustentam a família. Ninguém sofre uma opressão tão prolongada ao longo da história como a mulher. Mutiladas em países da África com a supressão do clitóris, censuradas em países islâmicos onde são proibidas de exibir o rosto, subjugadas como escravas e prostitutas em regiões da Ásia, deploradas como filha única por famílias chinesas, são as mulheres que carregam o maior peso da pobreza que atinge, hoje, 4 dos 6 bilhões de habitantes da Terra. Metade da humanidade é mulher. A outra metade, filhos de mulheres. Em muitos países, elas são obrigadas a suportar dupla jornada de trabalho, a doméstica e a profissional, arcando ainda com o cuidado e a educação das crianças. Na América Latina, entre a população pobre, 30 por cento dos chefes de família são mulheres. Estupradas em sua dignidade, elas são despidas em outdoors e capas de revistas, reduzidas a iscas de consumo na propaganda televisiva, ridicularizadas em programas humorísticos, condenadas à anorexia e à beleza compulsória pela ditadura da moda. As belas e burras têm mais "valor de mercado" do que as feias e inteligentes.

.....

DESAFIOS ATUAIS

A partir de 1977, o movimento feminista fragmentou-se em diversas tendências, algumas mais voltadas para a discriminalização do aborto, outras centradas na isonomia profissional com os homens. Muitas mulheres, após conquistar postos de trabalho antes ocupados exclusivamente pelos homens, lograram também assumir funções políticas de mando. A crise da família faz com que muitas exerçam o papel de chefe da família, como ocorre, hoje, com 30 por cento das mulheres latino-americanas, sobretudo as mais pobres. Há, contudo, um terreno diante do qual o feminismo parece calar-se: o do uso da mulher na publicidade e, em especial, no mundo da moda. A mulher é flagrantemente utilizada como isca de consumo, realçando-se seus atributos físicos de modo a reificá-la, ou seja, estabelecer uma relação direta entre o produto e a mulher, alvos do desejo libidinoso. Na esfera da moda, ela é condenada à anorexia, favorecendo uma nova exclusão sociocultural: a das gordas e feias, idosas e maltratadas pela carência. Essa mulher-objeto, fruto da manipulação estética de academias de ginástica, produtos dietéticos e medicina especializada, é desprovida de sentimentos, idéias, valores e projetos. Vale unicamente pelo aspecto físico. Saber requebrar na dança é mais importante do que saber pensar, e a ausência de gorduras e celulites importa mais que as qualidades morais e intelectuais. Nos programas de televisão, sobretudo humorísticos, o papel da mulher é quase sempre o de notória imbecil, reforçando o machismo e favorecendo a violência contra ela, seja a física, seja a moral, mais comum, do homem que se recusa ao diálogo, não admite críticas e sente-se no direito de ditar normas de comportamento. O que é espantoso é a cumplicidade de tantas mulheres com essa imagem que as deprecia e alarga a distância entre ética e estética, amor e sexualidade, subjetividade e glamourização dos atributos físicos. A marca do batom é vermelha, cor das bandeiras libertárias e, também, do sangue injustamente derramado pela opressão.


*********** O texto foi publicado na revista "Caros Amigos", em seu ano V, número 54, em setembro de 2001.

quinta-feira, 7 de março de 2013

ICBC quer investir no Parque Aquático

Mas para que este investimento seja realidade, o Instituto de Cegos do Brasil Central precisa de sua ajuda!!! Para contribuir com as ações e atendimentos de centenas de pessoas com deficiência visual, você, cidadão de Uberaba e região, pode participar sempre das promoções do ICBC. No dia 17 de março deste ano, é uma boa oportunidade para ajudar. Basta você adquirir um marmitex. O custo é baixinho, baixinho. Você paga R$ 10,00, e leva uma saborosa galinhada pra casa. E você pode pegar das 11h às 14h30, na sede do ICBC, que fica localizado na rua Marquês do Paraná, 351, no bairro Estados Unidos. Maiores informações pelo telefone (34)- 3321-5546, com Andreia, ou Gisele. Aguardamos você lá!!!

Um bate papo na direção de um novo olhar para a pintura


É isto gente. Não percam hoje, na Livraria Alternativa Cultural, Eliana Miranzi. Esta avó, professora, escritora e apaixonada por artes, realiza hoje o primeiro bate papo sobre pintura, com reflexões e observações reveladoras de diversos artistas de todas as épocas. O objetivo é treinar um novo olhar para a observação das imagens, e o tema é "Mulheres na Pintura". Este é o primeiro encontro de uma série de 2013. O evento acontece hoje, as 19h às 20h30, e tem o custo de R$ 25,00. A Alternativa Cultural fica na rua Major Eustáquio, 500. Maiores informações com Joziane ou Thaís, pelo telefone (34) 3333-6824. Vale conferir!!! 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Sem nostalgia, sem ser piegas e sem sensacionalismo barato!!!

Digo isto, porque a música que coloco abaixo marcou meu início de casamento... Foi nosso hino lá no comecinho. Era lindo!!! Aliás, é lindo!!! A letra diz tudo... Mas deixando isto de lado, hoje recebi a notícia da morte do Chorão em um café da manhã oferecido por uma amiga jornalista. Estávamos todos nós da imprensa, quando um dos colegas viu a notícia em seu smartphone e anunciou. Todo mundo ficou pasmo, e o primeiro comentário: "Será que foi overdose???!!!" Aí fiz um comentário hilário: "Pelo que sei fumava só uma "macoinha" (é este o diminutivo??!!!) que não faz mal a ninguém."
Eu estava sentada a uma mesa em que, felizmente, compartilhávamos da mesma opinião. Uma delas, que não vou citar o nome, comentou sobre o preconceito: "Se a pessoa morre, é negra, é porque é traficante. Se um artista morre, é porque foi overdose. Há um preconceito enorme com os artistas." Concordo!!!! Infelizmente!!!! 
Agora vou para outro ponto que me deixa indignada... Engraçado, que quando são os sertanejos, os pagodeiros, ou "artistas" do axé, nunca é por bebida, por droga, e nenhum deles é traficante ou viado (porque afinal, é um absurdo ser homossexual(!!!!) e isto é "mérito" somente dos roqueiros - bando de desvirtuados).
Não sei porque também tô indignada.... Não é arte né???!!!! Explicado: Eles são santos sempre... Afinal, não fazem arte!!! Ponto!!!


A música que marcou nosso início...





Lutar pelo que é meu
Chorão

A gente passa a entender melhor a vida
Quando encontra o verdadeiro amor
Cada escolha uma renuncia isso é a vida
Estou lutando pra me recompor

De qualquer jeito o seu sorriso
Vai ser meu raio de sol
De qualquer jeito o seu sorriso
Vai ser meu raio de sol

O melhor presente Deus me deu
A vida me ensinou
A lutar pelo que é meu
O melhor presente Deus me deu
A vida me ensinou
A lutar pelo que é meu

Então deixa eu te beijar
Até você sentir vontade de
Tirar a roupa
Deixa acompanhar esse instinto
De aventura
De menina solta
Deixa a minha estrela orbitar
E brilhar no céu da sua boca
Deixa eu te mostrar
Que a vida pode ser melhor
Mesmo sendo tão louca
De qualquer jeito o seu sorriso
Vai ser meu raio de sol

terça-feira, 5 de março de 2013


O artista Márcio Libar bateu um papo interessante com o apresentador Lázaro Ramos, do programa Espelho



Já que hoje começa um evento circense em Uberaba, me lembrei do Márcio Libar, que ontem esteve no programa Espelho, do Canal Brasil. Ele é ator, diretor e escritor. Foi ele quem fundou o grupo Teatro-Circo: Teatro de Anônimo nos anos 80. Libar já ganhou muitos prêmios internacionais de Palhaçaria. Em 2008 ele lançou o livro “A Nobre Arte do Palhaço”.
Durante entrevista de ontem, Márcio Libar fala de sua arte, que fala
sobre ser quem se é, ou melhor ser quem você é. Afirma ainda que reforça a ideia do palhaço como perdedor, como aquele que perdeu pra esse mundo além de todas as perdas que vamos sofrendo ao longo da vida com as separações, mortes, perdas de emprego. “Além da perda maior, que é a perda da nossa pureza e inocência que temos na nossa fase de criança para adulto.”


Para conhecê-lo melhor, transcrevo aqui outras colocações interessantes do artista; estas vindas de outras entrevistas dele:

“A militância pela construção de políticas públicas de melhores condições de expressão, produção e acesso são movimentos coletivos e colaborativos e até certo ponto, corporativos, mas a arte é individual.”


Eu faço uma coisa só, sou um artista cênico: um ator, de formação teatral e circense, que escolhi o palhaço como especialidade e pronto.”


Esta sobre ser ator:
“O que comunica, o que se expõe sem pudor, o que deixa que o público veja suas fragilidades, suas dores, e que é capaz de rir de si mesmo, de não se levar a serio. E um pouco de pensamento não faz mal a ninguém."

Trecho do livro "A Nobre Arte do Palhaço":
"Eu era um pano de chão torcido, sem mais nenhum sinal de vaidade. Quando eu apareci, arrasado, e encarei a plateia naquele estado, vi todos os olhares se iluminarem em sorrisos que se converteram em lágrimas na grande maioria das pessoas. Era como se estivessem presenciando um milagre. E era. Nesse momento. Simi olhou, fez uma cara fofa, e soltou com voz de mãe que faz dengo em seu filho: "Oooh!!!! Cuti Cuti". Funguei o catarro que insistia em escorrer, e nesse momento a plateia explodiu numa grande gargalhada. Acabara de nascer o meu palhaço."



É hoje gente!!!! "Bora lá" prestigiar!!!


E começa hoje a Oficina de Iniciação de arte circense. As inscrições são gratuitas, e a oficina acontece toda terça-feira, a partir de hoje.

Hoje, na Alternativa Cultural, os músicos Carioca, Ton Reis e Igor Staniczuzki, do grupo Terno de Ouro se apresentam a partir das 20h. Muita música da boa. A Alternativa fica na rua Major Eustáquio, 500. Vale a pena conferir!!!!

segunda-feira, 4 de março de 2013

Aniversário: Uberaba ganha samba-enredo



                                                             Foto: Ari Morais

A cidade de Uberaba completou neste final de semana 193 anos!!! Muita festividade, e no domingo, houve um encontro no TEU (Teatro Experimental de Uberaba) entre Velha Guarda da Bateria da Mangueira e  dirigentes das Escolas de Samba de Uberaba. Esteve ainda a presidenta da FCU (Fundação Cultural de Uberaba), Sumayra Oliveira, e presidenta da  LESBU (Liga das Escolas de Samba e Blocos de Uberaba), Sueli Arantes.
A discussão foi fantástica, mesmo porque foi pautada com muitas dicas importantes destes experientes sambistas cariocas.
Também considero de suma importância, as decisões ali expostas. A presidenta da FCU afirmou que o poder público tem o maior interesse em fazer o Carnaval de rua de Uberaba, mas deixou claro que todas terão que buscar também patrocínios. Ainda afirmou que pode ajudar neste intercâmbio, e também liberação de documentação para que as Escolas de Samba de Uberaba possam realizar eventos para angariar fundos. Eu, particularmente, considero a decisão mais acertada, mesmo porque a arte deve aprender a caminhar com as próprias pernas, sem depender somente do poder público. É importante a liberação de verba por parte da FCU, mas ao mesmo tempo, as Escolas de Samba devem buscar seus recursos. 
Outro aviso dado por Sumayra, foi de que, a Escola que melhor trabalhar neste sentido, receberá mais recursos e ajuda da FCU.
No final, nós, uberabenses, fomos premiados com um samba-enredo feito ali na hora por Rody da Mangueira, o compositor da Velha Guarda. Transcrevo abaixo, pedindo aqui licença a este gênio do samba:

"Em Uberaba o samba não acaba
Em Uberaba o samba não acabou
Vamos pra frente minha gente,
Mostrar que o samba tem o seu valor

Uma escola de samba aqui
Outra escola de samba acolá
O povo de Uberaba é cultural
E o samba é a raiz do Carnaval"

                                                 Foto: Ari Morais